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Soneto caudato (cf. nº 5), redigido entre 1532 e 1534,  foi enviado para Giovanni Benedetto di Pistoia, com quem Michelangelo teve um intercâmbio de poemas. A invectiva contra a cidade de Pistoia evoca explicitamente Dante (Inferno, XXV, 10-12): “Ahi Pistoia, Pistoia, ché non stanzi / d’incenerarti sì che più non duri, poi che in mal far lo seme tuo avanzi?” (“Ai Pistoia, Pistoia, por que não resolves incinerar-te, para que não dures mais, pois consegues superar na má ação até teu povo mau?”).

1   I’ l’ho … per ricevuto, Eu o recebi: recebi seu texto [talvez um soneto?].
3   Tal pro, Tal lhe sirvam: os dentes lhe sirvam como a comida serve a um corpo já satisfeito. Ou seja: que ele não precise dos dentes, ou: que possam-lhe cair os dentes.
8   ché, s’altri ha ben, pois se outrem ganha um bem: pois se considerais o bem dos outros como uma perda.
9   Invidiosi, Envejosos: o verso é dirigido aos cidadãos de Pistoia e relembra o verso de Dante contra Florença (Inferno, XV, 68 : “gente avara, invidiosa e superba”).
12 il Poeta: Dante.
15 Qual precïosa gioia, Qual preciosa jóia: [Florença] é certamente uma jóia preciosa.
   I’ ho, vostra mercè, per ricevuto,
e hollo letto delle volte venti.
Tal pro vi facci alla natura i denti,
co’ ‘l  cibo al corpo quand’egli è pasciuto.
   I’ho pur, poi ch’ i’ vi lasciai, saputo
che Cain fu de’ vostri anticedenti,
né voi da quel tralignate altrimenti;
ché, s’altri ha ben, vel pare aver perduto.
   Invidiosi, superbi, al ciel nimici,
la carità del prossimo v’è a noia,
e sol del vostro danno siete amici.
   Se ben dice il Poeta, di Pistoia,
istieti a mente, e basta; e se tu dici
ben di Fiorenza, tu mi dai la soia.
            Qual prezïosa gioia
è certo ma per te già non si intende,
perché poca virtù non la comprende.

Eu o recebi graças a vós / e o li bem vinte vezes. / Tal lhe sirvam os dentes, /  feito comida ao corpo satisfeito. / Eu também, depois de vos deixar, soube / que Caim foi vosso ancestral, / nem assim dele renegais a herança / pois se outrem ganha um bem, pareceis havê-lo perdido. / Invejosos, soberbos, do céu inimigos, / a caridade do próximo vos aborrece, / e só do vosso dano sois amigos. / Se bem diz o Poeta, sobre Pistóia, / guarda isso na mente e basta; / e se falas bem de Florença, troças de mim. / Qual preciosa jóia / certamente, mas tu não entendes, / pois pouca virtude não o compreende.

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