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Escrito para Tommaso Cavalieri (cf nº 56 e seg.) aparece em carta enviada pelo pintor Giuliano Bugiardini, em 1532, e representa uma declaração de amor integral que, nas concepções da época, era o amor espiritual. Apesar de ter sido dirigido a Cavalieri, Michelangelo anotou, à margem do verso 1-2,  a seguinte frase: “Donna gentil a chi vengo per vederti” (“Gentil dama a quem eu vim ver”), exemplo de sua flexibilidade e ambigüidade nas dedicatórias (cf. nº 235).

1-3 Jogo de palavras, que remete a Dante Alighieri, Inferno, I, 25: “Cred’io ch’ei credette ch’io credesse…”/ “Eu acredito que ele acreditava que eu acreditasse…”

4 a che più indugio, Por que tanto retardas: o encontro com Tommaso Cavalieri realizou-se naquele ano (cf. Soneto n º 56).

7 mur, muro: refere-se provavelmente à opinião pública e constitui uma alusão ao muro que separava Piramo e Tisbe, primeira dupla de amantes desafortunados na tradição literária (Ovídio, Metamorfoses, IV, 55).

i celati guai, as dores ocultas: a paixão não podia ainda ser declarada.

9-11 louvor ao amor espiritual.

13 e mal compres’ è, e mal foi entendido: refere-se tanto ao teu belo rosto (verso 12), quanto ao verdadeiro objeto da paixão de Michelangelo, que é o amor espiritual (verso 11).

   Tu sa’ ch’i’ so, signor mie, che tu sai

ch’i’ vengo per goderti più da presso,

e sai ch’i’ so che tu sa’ ch’i’ son desso:

a che più indugio a salutarci omai?

   Se vera è la speranza che mi dai,

se vero è l’ gran desio che m’è concesso,

rompasi il mur fra l’uno e l’altra messo,

che doppia forza hann’ i celati guai.

   S’i  amo sol di te, signor mie caro,

quel che di te più ami, non ti sdegni,

ché l’un dell’altro spirto s’innamora.

   Quel che nel tuo bel volto bramo e ‘mparo,

e mal compres’ è dagli umani ingegni,

chi ‘l vuol saper convien che prima mora.

Tu sabes que sei, senhor meu, que tu sabes / que venho para fruir-te mais de perto / e sabes que sei que tu bem sabes quem sou / por que tanto retardas nosso abraço? / Se verdadeira é a esperança que me dás / Se verdadeiro é o desejo que me entregas / Que se rompa o muro entre nós levantado / Pois dupla força tem o grito sufocado. / Se amo mais em ti, senhor meu caro, / o que de tudo mais amas, não te zangues / pois um esp¡rito do outro se enamora. / O que no teu belo rosto desejo e aprendo / mal foi entendido por outros homens / quem quiser saber convém antes morrer.

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