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Redigido em 1511, este soneto dirige severas críticas  ao papa Júlio II (veja-se também o nº 10), conhecido por sua atitude belicosa. Conta-se que o papa ter-se-ia recusado a posar para Michelangelo, segurando um livro. Consta que teria dito: “Ponha uma espada. Pois nada sei acerca da leitura.” O soneto reflete a irritação pelas tentativas feitas por seus rivais, o pintor Rafael e o arquiteto Bramante, para tirar do artista a tarefa de pintar a Capela Sistina. Michelangelo, o Jovem, seu sobrinho, comenta: “Parece que [neste soneto] ele se queixa de algum príncipe, e penso, também, de algum pontífice que não o remunerou adequadamente pelo trabalho. Talvez [se trate de] Júlio II”.

parole, intrigas: as referidas tentativas de Raffaello e Bramante.
 mie tempo, meu tempo: Michelangelo era obrigado, pela inconstância do papa, a mudar freqüentemente de tarefa e assim perdia muito tempo.
altezza, alteza: em italiano indica altura e o título de um membro da família real: remete ao papa-guerreiro
10 potente spada, potente espada: nova alusão a Júlio II.
14 arbor ch’è secco, árvore toda seca: este verso remete, possivelmente, ao nome da família do papa, que era Della Rovere, cuja tradução literal é: “do carvalho”.
 
Signor, se vero è alcun proverbio antico,
questo è ben quel, che chi può mai non vuole.
Tu hai creduto a favole e parole
e premiato chi è del ver nimico.
  I’ sono e fui già tuo buon servo antico,
a te son dato come e’ raggi al sole,
e del mie tempo non ti incresce o dole,
e men ti piaccio se più m’affatico.
  Già sperai ascender per la tua altezza,
e ‘l giusto peso e la potente spada
fussi al bisogno, e non la voce d’eco.
  Ma ‘l cielo è quel c’ogni virtù disprezza
locarla al mondo, se vuol c’altri vada
a prender frutto d’un arbor ch’è secco.

Senhor, se vale algum provérbio antigo, / é bem este: quem tudo pode, nada quer. / Acreditaste em fábulas e intrigas / e premiaste quem da verdade é inimigo. / Sou e já fui teu servo antigo / a ti me entreguei tal raio ao sol / ainda assim, o meu tempo não te toca ou dói / e quanto mais me canso mais me negas. / Um dia, pensei ascender graças à tua alteza / e que um peso justo e uma potente espada / me dessem verdadeira voz e não frágil eco. / Mas o céu desdenha toda virtude trazer ao mundo, se pretende que outros vão / pedir frutos a uma árvore toda seca.

 

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