293

Datado 1555 (ou mais tarde), este soneto faz parte do último período de produção de Michelangelo (morto em em 1564, aos 89 anos). No verso da prancheta o soneto  292, de tema similar e, com a mesma caligrafia, junto com os nº 291 e 294. Ecoa o poeta italiano do séc. XIII Francesco Petrarca (cf. nº 89) que, em seu Canzoniere tinha escrito (LXXXI, 1): [“Io son sì stanco sotto ‘l fascio antico/ de le mie colpe et de l’usanza ria…”/] “Estou tão cansado sob antigo feixe/ pelas minhas culpas e pela  malvada tradição…”.

2 trist’uso, o triste hábito: ao pecado.
3 l’una e l’altra morte, uma e outra morte: a morte do corpo e a da alma, segundo a visão neoplatônica (cf. nº  285, 10).
4 e parte ‘l cor,  ainda …alimento: ainda amo.
8 guida e freno, guia e freio: o exemplo divino fornece, ao mesmo tempo, o exemplo e as normas para se limitar.
10 perché l’alma sia, para que minh’alma seja … criada: para que a alma seja gerada novamente, não mais, como a primeira vez, do nada mas sim desta condição terrena.
12 Anzi che del mortal, Antes do mortal: antes que Você de sua mortal veste
14 e fie più chiara, faze mais claro: e meu retorno ao céu será mais facil e certo.
 
  Carico d’anni e di peccati pieno
e col trist’uso radicato e forte,
vicin mi veggio a l’una e l’altra morte,
e parte ‘l cor nutrisco di veleno.
  Né propie forze ho, c’al bisogno sièno
per cangiar vita, amor, costume o sorte,
senza le tuo divine e chiare scorte,
d’ogni fallace corso guida e freno.
  Signor mie car, non basta che m’invogli
c’aspiri al ciel sol perché l’alma sia,
non come prima, di nulla, creata.
  Anzi che del mortal la privi e spogli,
prego m’ammezzi l’alta e erta via,
e fie più chiara e certa la tornata.

Pesando os dias, e de pecados pleno, / pelo triste uso, arraigado e forte, / vizinho vejo uma e outra morte / e ainda o coração alimento com veneno. / Nem força tenho, precisão anseio / mudar de vida, amor, costume ou sorte, / sem tua mão divina e forte / de todo falso passo guia e freio. / Meu caro Senhor, não basta me fazer / aspirar ao céu, para que minh’alma seja / não como antes, do nada, criada. / Antes do mortal a retirar / rogo me reduzas tão dura via, / faze mais claro, nítido retorno.

 

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