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Entre os mais conhecidos sonetos da produção tardia e de caráter existencial e religiosa, escrito entre 1552 e 1554 em seis versões, ocupa parte de uma folha que contém a primeira redação de uma carta dirigida ao sobrinho Lionardo. A última redação foi enviada a Giorgio Vasari, autor da  Vida de Michelangelo (cf. nº 277). Vasari respondeu com um soneto e uma carta em que o exortava, en nome do duque Cosimo de’ Medici, a voltar à pátria.

3 comun porto, porto comum:  a morte.
5-8 Reconheço que a paixão (affettüosa fantasia. apaixonada fantasia) que tomou conta de mim (che l’arte mi fece idol. que fez da arte meu ídolo) estava errada, assim como estão errados os desejos (terrenos) dos homens (ogn’uom, todo homem).
10 duo morte, duas mortes:  a morte do corpo e a morte da alma.
11 D’una so ‘l certo, De uma estou certo:  a danação. l’altra mi minaccia. a outra me ameaça: a morte física.
  Giunto è già ‘l corso della vita mia,
con tempestoso mar, per fragil barca,
al comun porto, ov’a render si varca
conto e ragion d’ogni opra trista e pia.
  Onde l’affettüosa fantasia
che l’arte mi fece idol e monarca
conosco or ben com’era d’error carca
e quel c’a mal suo grado ogn’uom desia.
  Gli amorosi pensier, già vani e lieti,
che fien or, s’a duo morte m’avvicino?
D’una so ‘l certo, e l’altra mi minaccia.
  Né pinger né scolpir fie più che quieti
l’anima, volta a quell’amor divino
c’aperse, a prender noi, ‘n croce le braccia.

Chegou o curso da minha vida, / ao porto comum, onde se deixa ficar, / por mares de procela, em frágil barco, / a prestar contas do bem e do mal. / Enfim, bem sei quanto erro havia / na apaixonada fantasia que fez da arte / meu ídolo e monarca, e em tudo aquilo / que, a contragosto, todo homem anseia. / Sonhos de amor, alegres um dia, ora inúteis, / de que valem se duas mortes se avizinham? / De uma estou certo e outra me ameaça. / Pintar e esculpir já não bastam para acalmar / minh’alma, voltada para aquele amor divino / que abriu para nos prender na cruz os braços.

 

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