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Soneto redigido provavelmente em 1545; no manuscrito autógrafo aparecem alguns esboços da janela da fachada da Biblioteca laurenciana de Florença. O tema deste  soneto é a alma que se alegra, paradoxalmente, pela vinda da morte; o amor, porém, mostra sinais de continuar bem vivo, apesar da tentativa de libertar-se de seus laços terrenos, para voltar a se unir a Deus: faz parte do período tardio, caracterizado por temas existenciais ou religiosos.

1  l’idol mio, meu ídolo: a imagem mental do amado/amada, a representação de um símbolo do amor.
2 Aqui e no verso 13 reproduz a doutrina neoplatônica da Renascença, segundo a qual “unicamente o olho conhece”, pois a verdadeira beleza não é percebida pelos outros sentidos.
fra l’uno e l’altro, entre um e outro: entre os dois amantes.
tale oltraggio, tal ultraje: a morte.
7-8 Invicto, o amor, argumenta da forma seguinte.
9 dice, diz ele: o amor.
10-11 e chi … muore, e quem morre…: e quem morre amando em que se transformará se antes vivia em mim, o amor?
12 L’acceso amor, O ardente amor: atraido (s’è calamita. se imanta) pelo ardor que tanto lhe assemelha, (ou seja Deus), se separa da alma e, purgado, se une novamente a Deus.
14 in foco, em fogo: cf. cf. nº  87, 2  e nº  56, 4. e nº 233, 4
  Ognor che l’idol mio si rappresenta
agli occhi del mie cor debile e forte,
fra l’uno e l’altro obbietto entra la morte,
e più ‘l discaccia, se più mi spaventa.
  L’alma di tale oltraggio esser contenta
più spera che gioir d’ogni altra sorte;
l’invitto Amor, con suo più chiare scorte,
a suo difesa s’arma e s’argomenta:
  Morir, dice, si può sol una volta,
né più si nasce; e chi col mie ‘mor muore,
che fie po’, s’anzi morte in quel soggiorna?
  L’acceso amor, donde vien l’alma sciolta,
s’è calamita al suo simile ardore,
com’or purgata in foco, a Dio si torna.
Toda vez que meu ídolo se apresenta / aos olhos deste coração, débil e forte
entre um e outro se ergue a morte / que dele quanto mais me afugenta, mais me afasta. / Minh’alma de tal ultraje ficar contente / mais espera que gozar de outra sorte; / o invenc¡vel Amor, com sua radiosa escolta / em defesa própria se arma e argumenta: / Morrer, diz ele, apenas uma vez se pode / sem voltar a nascer; e quem morre com meu amor / que há de se tornar, se antes a morte em mim vive? / O ardente amor, libertando a alma, / se imanta de igual ardor, e / feito ouro fuso em fogo, a Deus retorna.
 
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